Ficamos, pois, cada um entregue a si-próprio, na desolação de se sentir viver. Um barco parece ser um objeto cujo fim é navegar; mas o seu fim não é navegar, senão chegar a um porto. Nós encontramo-nos navegando, sem a ideia do porto a que nos deveríamos acolher. Reproduzimos assim, na espécie dolorosa, a fórmula aventureira dos argonautas: navegar é preciso, viver não é preciso.
Sem ilusões, vivemos apenas do sonho, que é a ilusão de quem não pode ter ilusões. Vivendo de nós próprios, diminuímos-nos, porque o homem completo é o homem que se ignora. Sem fé, não temos esperança, e sem esperança não temos propriamente vida. Não tendo uma ideia do futuro, também não temos uma ideia de hoje, porque o hoje, para o homem de ação, não é senão um prólogo do futuro. A energia para lutar nasceu morta conosco, porque nós nascemos sem o entusiasmo da luta.

Fernando Pessoa por Bernardo Soares, Livro do Desassossego

raveneuse:

Braco Dimitrijevic, Accidental Painting, 1968

Posted on May 23, 2013

Reblogged from: V

Source: raveneuse

Notes: 66 notes

joaolynch:

JP SIMÕES - GOSTO DE ME DROGAR

planetaryfolklore:

design-is-fine: Joost Schmidt, Bauhaus typography, 1931

natgeofound:

A temporary vacant lot serves as driving range amid high rise buildings, December 1979.
Photograph by H. Edward Kim, National Geographic

A felicidade é não estar triste; não estar doente; não estar desempregado e não ser obrigado a pensar em todas as outras coisas que antecedem - e excluem, automaticamente, por questões básicas de necessidades - a consideração da felicidade. É entristecer com razão, mas sem resultado. Ser feliz é poder fingir, convincentemente, que se tem razão para andar triste ou não.

Miguel Esteves Cardoso

Posted on May 22, 2013

Reblogged from: naufragar

Notes: 13 notes

hoodoothatvoodoo:

Andre de Dienes

‘Shirley Levitt’

alternative-film:

the graduate (1967, dir. mike nichols)

alternative-film:

the graduate (1967, dir. mike nichols)

Top of Page